sozinha com 3 milhões de pessoas

Quem me conhece bem, sabe que eu não tenho problema nenhum em ficar só. Pra ser bem sincera, gosto muito. Me deixe com um livro, ou só com uma boa playlist, ou com a Netflix, ou só com meus pensamentos mesmo. Me viro bem, sempre, muito bem. Porém essa informação não é válida quando o assunto envolve saídas. Festas, shows, restaurantes, bares, teatro… eu quase nunca vou só. Não sei o porquê, mas não gosto. Se não tenho companhia, acabo desistindo. Não foi sempre assim, mas de uns anos pra cá aconteceu.

E aí que eu fui passar férias em São Paulo (como disse no post anterior), e surgiu a maravilhosa informação que ia rolar a Parada LGBT durante a minha estadia. VOU! Meu irmão estava comigo e já o deixei avisado: Parada LGBT, domingo, dia 18, vamos. E aí que chegou o domingo. Eu estava super animada, curiosa e repetindo que ia morrer de dançar com Anitta, enquanto meu irmão queria ‘dar uma passada’. Vou só. Nem eu acreditei no que eu tava dizendo, a pessoa que não vai sozinha pra um show com 50 pessoas, vai fazer o que no meio de não sei quantos milhões, Juliana? Sem conseguir responder, pedi pros meninos me deixarem no metrô e fui. Foi assim que eu fui sozinha-com-3-milhões-de-pessoas pra 21ª Parada do Orgulho LGBT de SP.

Dá o play.

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Chegar na parada foi super tranquilo, apesar do metrô absurdamente cheio. Entrar no metrô já foi sensacional, as pessoas brilhando, sorrindo, cantando, brincando… descer do metrô foi surreal! Era TANTA gente na mesma energia que, quando faltava um degrau pra chegar na Av. Paulista, desceu uma lagriminha contida. Fiquei muito emocionada sentindo aquela energia toda.

Fui caminhando até o Conjunto Nacional, os trios estavam saindo do MASP e preferi ficar por perto, mas num lugar mais ‘confortável’. Depois de uns 10 minutos quietinha e só olhando os trios, aderi ao “não sou daqui, não vim pra ficar” e me soltei. Comecei a dançar de tudo. Teve funk até o chão, teve axé, teve sertanejo, teve Xuxa, teve Sandy e Jr… teve de tudo. Teve até Doritos Rainbow.

Dancei funk com um grupo de caras incríveis, que nem cheguei a descobrir o nome, mas que ‘conheci’ por pegarem meu cabelo pra testar como ficaria neles (é. meu cabelo é comprido e tava num rabo de cavalo… quando virei pra trás eles estavam segurando meu cabelo e testando na cabeça deles. Por que não, né?). Ganhei um monte de sorrisos, companhia pra funk e um abraço maravilhoso na despedida. Pulei ao som de ‘vamo pular‘ de Sandy e Junior, e pulei abraçada com uma pessoa que simplesmente sorriu pra mim e me abraçou pra pularmos juntos. Depois cantamos ‘ilariê‘ um pro outro e sorrimos nos despedindo. Vi artistas que gosto, como Tulipa Ruiz cantando Efêmera e dançando com Leandra Leal no carro das Divinas Divas (que eu to louca pra assistir). Tinham trios lindos, como o da UBER, que teve Anitta – que era o show que eu realmente queria ver e terminou sendo a única atração que não vi.

Para bons viciados em Sense8 – como eu – teve o ápice, quando um dos carros tocou What’s up e eu me senti naquela cena maravilhosa em que eles estavam na Parada do ano passado. Todas as pessoas começaram a pular e cantar loucamente, foi lindo, gente, lindo! Fico emocionada só de lembrar. QUE DIA!

Como eu tava ali e não queria ir embora nunca mais, decidi seguir os trios até o final. Teve um momento louco em que tinha tanta gente que, quando um dos trios parou, as pessoas tentaram parar e as que vinham atrás continuaram andando, o que fez as pessoas da frente começarem a cair… mas isso foi rápido, logo as pessoas se organizaram e o susto passou. Eu não vi nenhuma briga, nenhuma confusão.

Nunca vi tanta gente brilhando, tanta gente sorrindo, tanta gente dançando, nunca vi tanta gente bonita reunida. Foi uma daquelas experiências que me deixam sorrindo boba quando lembro e pensando “que dia lindo!“. Sou grata por ter tido a chance de viver isso. Senti falta de algumas pessoas queridas que teriam amado estar ali tanto quanto eu, mas fui grata por poder viver tudo aquilo, por poder sentir tudo aquilo.

E aí, quando acabou, voltei todo o – longo – percurso andando, sorrindo sozinha e pensando: como a vida nos traz um monte de surpresas lindas quando a gente se permite ser, sentir e viver. Me sentia plena.

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