um ano e meio

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e já se foi um ano e meio. um ano e meio que deixei a rede pendurada no terraço, um ano e meio que descobri que não sei me despedir. um ano e meio que eu não soube me despedir da amora amiga, dele, da minha casa ou da família”. um ano e meio – risos -.

um ano e meio de São Paulo, de intensidades e delicadezas, de caos e coração. quanta intensidade, quanta delicadeza, quanto caos, quanto coração.

a real é que dias atrás me sentia quebrada, cansada, descrente, perdida, sozinha, ansiosa, sem energia e sem muita fé em dias melhores. mas… não sei, a vida tem dessas. hoje faz um ano e meio que cheguei em São Paulo. pra não fugir da regra, estou com crise de sinusite – acho que nunca vou aprender a lidar com as mudanças drásticas de temperatura -, mas me sinto inusitadamente bem, leve, tranquila, em paz. sentada sozinha na sala da minha casa, numa sexta-feira à noite, porque entendi que era o que queria e precisava: um tempo comigo, sozinha. só uma caneca de água ao lado, pois queria estar totalmente presente, absorvendo essas sensações. o vinho e a cerveja estão na cozinha esperando pelo dia de amanhã; bons amigos estão logo ao lado, também fisicamente presentes amanhã. hoje arrumei minha casa toda, mudei algumas coisas de lugar, fui ao supermercado, fiz um jantar delicinha pra mim, vi série e sentei pra tentar colocar em palavras esse tanto que pulsa aqui dentro.

ainda me sinto perdida, mas me sinto tão presente comigo, tão em paz com o percurso, tão grata. escrevo sentada no meu sofá, no meu apartamento, no meu canto. feito boba, fico olhando ao redor, reconhecendo tudo, reconhecendo o percurso pra isso tudo. e agradecendo. tem tanta gente querida nessa sala, tanta gente presente na minha casa, tanta gente presente em mim. Potter, mainha, Lu, Bia, Fê, Xu, Camis, Normanda, Guilherme, Cláudia, Bruno, Ju, Lita, Day, Jorge, Thiago, Victor, Ana, Issao, Sylvia, Shika, Stephanie, Gaby… vou olhando ao redor e encontrando nos livros, nos quadros, nos móveis, nos objetos espalhados pela sala… tanta gente, tanta energia, tanto afeto, tanta presença.

nesse um ano e meio, me perdi e me encontrei centenas de vezes, cai e levantei, perdi o ar e reaprendi a respirar, desisti e insisti, deixei ir e deixei vir. então vamos ao balanço! em um ano e meio: morei em dois apartamentos; voltei a ter meu canto meu, um ap que tem cada vez mais minha cara, jeito e energia; a clínica tá fluindo de uma forma muito bonita e eu adoro meu trabalho, tem feito cada vez mais sentido pra mim; conheci a Umbanda; virei aloka das plantas (vez ou outra ainda mato alguma, mas to evoluindo, juro); conheci vários lugares incríveis; experimentei comidas maravilhosas e talvez tenha um restaurante preferido (oi Gopala); já sei dar informações no metrô e, às vezes, na rua (me achando muito orientada); virei uma pessoa carnavalesca; aprendi a fazer sopa (aprendi a gostar de sopa, talvez essa seja a informação mais chocante); comecei a correr (ok! essa é mais chocante que a sopa), voltei a malhar e meu corpo voltou a dançar. me apaixonei, fui muito feliz e saí inexplicavelmente machucada e magoada. maratonei umas séries; li menos livros do que gostaria; viajei – pouco, precisamos rever isso aí -; fui pra João Pessoa 4 vezes; trintei; descobri que gosto de Gin; me permiti experimentar várias coisas e descobri mais um tanto sobre mim; bebi mais cervejas e vinhos do que posso contar (aprendi a beber vinho); bloqueei a cachaça na minha vida; vi concerto, musical e shows incríveis; recebi visitas maravilhosas; vi coisas deixando de fazer sentido, vi coisas fazendo sentido; senti pessoas fazendo sentido, senti pessoas deixando de fazer sentido; senti saudade de doer corpo e alma; senti falta até sufocar; me afastei do que importa, reencontrei o caminho; ganhei pessoas maravilhosas nesse percurso, conheci tanta gente incrível, fiz amigos que dão sentido e sigo com quem me faz sentido; me senti a pior pessoa do mundo, me senti a melhor pessoa do mundo, hoje me sinto pessoa no mundo. meu corpo mudou, meu peso mudou, meu cabelo mudou, minhas roupas mudaram, meus quereres mudaram, meus desejos mudaram, meus ciclos mudaram, meu gosto mudou, meu mundo mudou, eu mudei. o saldo segue positivo.

ultimamente várias pessoas tem me perguntado se vou ficar, se vou voltar, se vou. hoje estou. é bom estar. escrevendo tudo isso, engraçado, me sinto menos perdida. me sinto em paz com quem sou, com onde estou e sou grata por tanto. grata aos que vieram, aos que chegaram, aos que ficaram e aos que foram. hoje sou infinitamente grata aos meus, à minha família, aos amigos que se fazem presentes na ausência física, aos amigos que se fazem fisicamente presentes, à minha analista maravilhosa que tem sido essencial nesse processo todo, aos pacientes que confiam no meu trabalho, aos deuses, aos orixás, às energias, às trocas, às reciprocidades, aos afetos.

então, depois do adeus, 101. olá, 602., fiz 365 dias e agora me acolho nesse um ano e meio de São Paulo. que delícia viver tudo isso. que loucura ser tudo isso. acredito que estou onde deveria estar. posso respirar. me sinto inteira.

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