cem dias sem

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os olhos inchados de chorar pela saudade, pela falta, pelo excesso. os olhos inchados de chorar pelos excessos das faltas, pelos excessos de mim. o corpo gritando a falta dos toques, a falta dos contatos, a falta. falta, falta, falta… que louco é transbordar me sentindo seca. como posso transbordar se me sinto seca?

a mente cansada até das próprias ambivalências. sonhos estranhos, impulsos novos, contenções improvisadas. essa solidão tem um gosto totalmente diferente das que já experimentei. ressignifico afetos, piso em solos incertos. experimento as trocas férteis, terrenos inférteis, sinto muito os vazios. sinto saudade de quem nunca vi. sinto saudade de quem sempre esteve aqui.

saio do eixo, me questiono, analiso, confronto. erro, acerto e erro de novo. me desespero, perco o ar, quero voltar atrás. quero correr pra frente. lembro que o lugar seguro é o corpo. o meu. nos ciclos de vida-morte-vida, foi esse corpo que sempre esteve aqui, também se refazendo. troco de pele. nela que nasço e renasço. infinitas vezes. me vestindo de mim.

cem dias de quarentena. faço um autorretrato. me pareço triste. edito em preto e branco porque acho mais poético. dizem que o triste é poético. não são poéticos esses cem dias sem.

respiro. me recolho. escrevo. me acolho. preciso trabalhar.

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